Paladares de Hoje...
Memórias de Antigamente!

12ª Noite de Fado, Sexta-feira dia 23 de Março 2018. Faça já a sua reserva! ...Descanso semanal: Terças-Feiras.

História

À procura de um nome para este espaço que desse sentido ao conceito “inovar com produtos tradicionais”, recuei à minha infância e lembrei-me do “almenxar” da minha avó Emília, vedado com lenha de esteva. Veio-me à memória aquele cheiro intenso e doce libertado pelas camadas de figos espalhados nas esteiras sobre o sol quente do Verão. E tive a certeza que esse era o nome certo: almeixar de figos, de amêndoas, de alfarrobas… também de Algarve, Albufeira, Alcantarilha e até de Almeida, que é o nosso nome de família. Tudo herança que os árabes nos deixaram. Almeixar vem do árabe “al-manxar” e aqui pelos Algarves também se diz “almanxar”, “alminxar” ou “almenxaire”. “Doçaria” porque abrange os doces, carinho e empenho que vos queremos dedicar. 

Quero com este nome e este espaço homenagear, em geral, as gentes simples deste Algarve de outrora, em que a “apanha” dos frutos secos ou de qualquer outra colheita era sempre motivo de alegria e gratidão à terra, que sempre recompensa quem a trabalha com amor e dedicação. Quero em particular homenagear a minha mãe que dedicou a sua vida às lides do campo e que quando regressava a casa já cansada, cozinhava coisas tão simples mas das quais sinto tantas saudades! Homenageio igualmente o meu pai, que nos seus 84 anos, cultiva tudo o que precisa na sua hortinha, apanha os frutos e faz a sua aguardente de medronho que vai consumindo ao longo do ano. E ainda cozinha divinalmente aqueles comeres do monte que me lembram os sabores da minha infância, como os griséus com batatinhas novas e rodelas de linguiça sobre sopas de pão caseiro, que a minha mãe amassava à mão e cozia no forno de lenha. E como esquecer também o meu mano que me fazia o favor de comer o “gordo” do presunto, a parte que ele preferia, deixando-me a parte magra que era a única de que eu gostava!?

Agradeço à minha filha e à minha nora por estarem comigo neste projeto, ou serei mais eu com elas?… Agradeço ao meu marido por nos ter permitido avançar com este desafio nestes tempos tão difíceis. Conto ainda com o empenho e colaboração dos meus dois filhos. Com a certeza também de que faço tudo isto pensando nas minhas duas netas, no meu neto, assim como nos que hão-de vir, para que conheçam as suas raízes e delas se orgulhem tanto quanto eu me orgulho das minhas. 

É com o maior gosto que conto partilhar com todos os clientes os sabores destas tão minhas memórias, pois foi para vós que a Doçaria Almeixar nasceu!

 Obrigada!

Vale Rabelho, 24 de Maio de 2012